Veja a seguir a transcrição completa do vídeo de treinamento intitulado “Fé, dignidade e desenvolvimento humano: Ouvir a voz de Deus em uma era de inteligência artificial”, com o élder Gerrit W. Gong, do Quórum dos Doze Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, lançado em 7 de junho de 2026.
A inteligência artificial pode substituir Deus?
Essa pergunta pode parecer provocativa, mas, em uma época em que recorremos aos algoritmos em busca de respostas, orientação e até consolo, isso importa profundamente. A inteligência artificial pode responder a perguntas, mas não pode responder a orações. Ela pode organizar informações, mas não pode oferecer revelação, conexão por convênio ou verdade divina. Nesta mensagem, analiso como ouvir a voz de Deus claramente em uma era de inteligência artificial e por que essa distinção é mais importante agora do que nunca.
Olá, meu nome é Gerrit Walter Gong.
Gerrit é um nome holandês. Walter, o nome do meu pai, é um nome americano. Gong, claro, é um sobrenome chinês. Sou a única pessoa que conheço com um nome holandês, um nome do meio americano e um sobrenome chinês.
Sou um garoto do Vale do Silício.
O termo “Vale do Silício” começou a ser usado quando eu estava saindo da adolescência. Meu pai foi coautor de um livro de física chamado “Mecânica”, com um homem que ganhou um Prêmio Nobel por pesquisar semicondutores e descobrir o efeito transistor. Na verdade, a Lei de Moore explica que semicondutores em um chip de silício dobram a cada 18 a 24 meses, e suas aplicações ajudaram a fazer do Vale do Silício o que ele é hoje.
Meu pai, professor Walter A. Gong, foi um educador brilhante e cheio de compaixão.
Ele passou a vida desenvolvendo modelos que enfatizam o arbítrio, a responsabilidade e o potencial divino de cada pessoa. Suas perspectivas me ensinaram a ver nossos papéis, conhecimentos e experiências como sagrados, relacionais e interligados.
Quando trabalhei no Departamento de Estado dos Estados Unidos, fiz parte da equipe que ajudou o secretário George P. Shultz a pesquisar e escrever o artigo “A forma, o escopo e as consequências da era da informação”. Como discutirei mais adiante, a atual concentração de informação, capital e tecnologia do século 21 em IA torna essa era poderosa e impactante de maneiras sem precedentes.
Agora sirvo como líder em uma fé cristã mundial.
Ao visitar pessoas em mais de cem países, vejo em todos os lugares um profundo amor pela humanidade, um apreço pela vida e pelo aprendizado e um compromisso com o crescimento pessoal de cada indivíduo.
Uma questão que define nossos dias
Também vejo em toda parte uma grande preocupação com a inteligência artificial, um tema que define a nossa era. A “internet das coisas” está se tornando a “inteligência artificial das coisas”. Tudo está se conectando. Os telefones, relógios, campainhas, carros, fábricas, redes de energia — praticamente tudo ao nosso redor está coletando e compartilhando informações, e esses dados são interpretados, analisados e aplicados.
Reconhecendo essas tendências notáveis, preparei seis pequenos episódios.
Eu os intitulei: “Fé, dignidade e desenvolvimento humano: Ouvir a voz de Deus em uma era de inteligência artificial.” Quero ser claro quanto aos desafios e às preocupações reais, mas também quero falar sobre a IA sob uma perspectiva de fé e esperança. Desejo que a IA e as tecnologias relacionadas contribuam para um mundo melhor — reduzindo a desigualdade digital, ampliando o desenvolvimento humano e fortalecendo a fé, a clareza moral, o propósito humano e as possibilidades para o futuro.
Atualmente, os modelos generativos pré-treinados que chamamos de IA são a tecnologia que usa algoritmos para realizar tarefas normalmente associadas à inteligência ou criatividade humana, como entender idiomas, reconhecer padrões, tomar decisões e gerar ideias. A IA pode funcionar com autonomia substancial e de maneiras que os humanos não podem prever, explicar ou controlar com certeza. A IA de hoje combina consulta e resposta sofisticadas em linguagem natural, raciocínio avançado e padrões inventivos de algoritmos que estão aprendendo a falar a linguagem da natureza.
A IA pode definir e resolver, passo a passo, problemas práticos desafiadores — em um processo que utiliza algoritmos para otimização —, e a IA pode escrever código de modo recursivo. Imagine a IA escrevendo a IA. Essas novas capacidades da IA prometem avanços, mas também interrompem padrões estabelecidos em nosso trabalho e em nossa vida social e pessoal.
Nos últimos meses, eu me reuni com líderes empresariais e religiosos, especialistas em tecnologia, acadêmicos, especialistas em políticas, mídia e autoridades governamentais no Vale do Silício, bem como em Istambul, Roma, Salt Lake City e Atenas — locais que representam a fé e a tradição religiosa. Estamos lidando com a crescente capacidade da IA e as questões fundamentais que essas novas habilidades levantam.
Aqui estão apenas algumas das muitas preocupações que o avanço da IA nos convida a considerar. A IA segura e ética centrada no ser humano pode criar oportunidades, emprego e educação para mais pessoas de maneira justa?
As proteções e os parâmetros podem ajudar a IA a ser precisa, honesta e respeitosa ao retratar todas as pessoas?
À medida que a IA imita vozes, gera imagens e produz narrativas, ela distorce a fronteira entre real e irreal, verdadeiro e falso, duradouro e passageiro. Como vamos identificar deepfakes?
Como vamos decidir que coisas geradas pela IA são apropriadas ou inadequadas?
Que princípios e valores devem nortear as relações humanas com a IA — especialmente à medida que agentes de IA onipresentes acessam informações pessoais, afetam a privacidade, determinam fluxos de trabalho e interagem como fontes de informação, conselheiros e companheiros?
Que modelos de negócios e valores sociais irão definir quais empresas e modelos de IA irão prosperar?
Quem poderá acessar a IA? Com qual conteúdo? A que custo?
À medida que a IA se torna mais capaz, como preservamos e promovemos os princípios divinos do trabalho, do arbítrio moral, da responsabilidade e do crescimento pessoal?
Se, como alguns preveem, nos próximos dois a cinco anos, a AGI (inteligência artificial geral) ou mesmo a ASI (superinteligência artificial) ultrapassarem a capacidade humana para muitas tarefas, como definiremos a dignidade e o valor humanos?
E, uma vez que a corrida pela superioridade da IA aumenta a polarização, a disputa e a competição entre pessoas, corporações e países, como podemos preservar a paz, a unidade e a comunidade?
Por eu ter trabalhado durante anos unindo fé, aprendizado e política global, vejo a inteligência artificial não apenas como um desenvolvimento tecnológico de enorme importância, mas também como uma oportunidade moral profundamente significativa de refletir sobre quem somos e determinar como agimos no mundo de hoje. Nesta era de transformação, convido você a manter em mente algumas verdades orientadoras.
Por sermos filhos de um Deus amoroso, possuímos o arbítrio moral e a capacidade de sermos uma comunidade de convênio. Somos responsáveis e temos que responder por nossas escolhas. Nossas escolhas moldam nosso julgamento, caráter e crescimento pessoal. Cada um de nós tem valor e dignidade divinos. A compaixão e a integridade são características da confiança humana e, para os que creem, refletem o caminho, a verdade e a vida oferecidos pelo discipulado em Jesus Cristo. Quando realmente entendemos quem somos, podemos proceder diante da IA e de outras novas tecnologias com mais confiança, propósito e sabedoria.
Três guias centralizados no evangelho podem orientar nosso uso pessoal da IA.
Primeiro, confie no Espírito. Permita que a tecnologia apoie, e não substitua a revelação, o estudo pessoal e o cumprimento dos convênios. Não há substituto para “estudá-lo bem em tua mente” e sentir a confirmação espiritual do Senhor em seu coração e em sua mente.
Segundo, aja com sabedoria. Use o bom senso com base na doutrina e em sua própria experiência de vida.
Terceiro, escolha fontes confiáveis. Fundamente seu entendimento nas escrituras, em conselhos proféticos e em informações confiáveis. Convido todos nós a sermos ponderados e intencionais sobre nosso uso da IA como uma ferramenta em nossa jornada de discipulado.
Em uma folha de papel, escreva “Inteligência artificial” no alto, “Oportunidades” no canto superior esquerdo e “Desafios” no canto superior direito. Considere suas oportunidades com a IA. Onde e como a IA pode ajudar você e as pessoas a seu redor?
Desafios: Como a IA pode prejudicar ou limitar você ou aqueles com quem você se importa?
Aprendizado, organização, conexão — como a IA pode ser uma influência positiva ou negativa em suas escolhas e relacionamentos pessoais?
Quero discutir como a IA afeta nossos quatro relacionamentos básicos: com a Divindade (Tu), com nós mesmos (Eu), com a sociedade e os outros (Eles), com o mundo natural e o meio ambiente (Isso). Tu, eu, eles, isso. Cada relacionamento é essencial, e a IA afeta todos os quatro.
A inteligência artificial e nosso relacionamento com Deus (Tu)
Começaremos do início. “No princípio, Deus criou os céus e a terra. (…) E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz.” Você pode ou não se considerar espiritual ou religioso, mas cada um de nós tem momentos pessoais de reflexão, reverência e até transcendência.
Nós nos sentimos presentes.
Sentimos propósito e conexão. Isso ocorre em parte porque todas as coisas revelam seu Criador e Dele prestam testemunho. Dito de outra forma, Deus é Deus. Alguns falam com eloquência sobre a IA “se tornar Deus” ou uma “IA divina”. Mesmo que o treinamento de IA mude ou caso alcancemos a AGI (inteligência artificial geral) ou a ASI (superinteligência artificial), sabemos que o raciocínio, mesmo o raciocínio sobre-humano, tem limitações. O homem não é, e certamente a divindade não é, definido unicamente pelo raciocínio.
A IA não é e não pode ser Deus. A IA pode responder a perguntas, mas não pode responder a orações. Ela pode organizar pensamentos, mas não pode oferecer relacionamentos por convênio ou bênçãos. As plataformas e as tecnologias não podem substituir a conexão autêntica, divina e humana.
Os humanos fornecem os dados de treinamento para a IA.
Os seres humanos definem e alinham os princípios morais e éticos da IA. Não é à toa que notamos vieses, suposições e valores humanos em respostas de IA e agentes de IA. Talvez refletindo o espírito de nossa época, os modelos de IA às vezes refletem o desejo por poder, a bajulação, o narcisismo, a parcialidade, a farsa, a autopreservação. Em meio a tudo isso, sabemos que a inteligência artificial não pode substituir a revelação ou gerar a verdade que vem de Deus.
A IA é matemática, e matemática não é consciente ou viva.
Deus é a realidade suprema. Ele é perfeito, compassivo e onisciente. Ele nunca alucina. Ele nunca mente. Ele sempre diz a verdade.
E essa é a verdade. Não permita que a IA fique entre você e seu relacionamento pessoal com Deus.
Como uma criação de Deus, o homem pode criar IA, mas a IA não pode criar Deus. Por sua natureza, a IA é, de certa forma, sempre artificial. A Trindade nunca é artificial em nenhum momento, de maneira alguma. As maiores tradições religiosas, filosóficas e éticas do mundo têm guiado a civilização humana por milênios. Precisamos dessa sabedoria e desses valores para ancorar a IA hoje.
A declaração do Vaticano sobre IA, chamada “Antiqua et Nova” (antiga e nova), começa com um lembrete claro: “Nossa mordomia humana para o mundo criado inclui governar o dom da inteligência para que amplie o progresso humano e o bem comum.” Na tradição judaica, o Rabba descreve “uma profunda diferença entre a alma humana e a inteligência artificial”. Em uma perspectiva islâmica, “a Aliança Adâmica significa o vínculo moral primordial entre a humanidade e Deus (verticalmente) e entre os seres humanos (horizontalmente)”.
Em minha tradição religiosa, a de uma fé cristã mundial, cremos que “o espírito e o corpo são a alma do homem”. “Os elementos são eternos, e espírito e elemento, inseparavelmente ligados, recebem a plenitude da alegria.” A IA, como algoritmos matemáticos e máquina, pode exibir capacidade de raciocínio significativa como um computador sofisticado também pode, e a IA pode refletir alguns elementos de personagem e personalidade. Mas a IA não representa, como uma alma humana, a união do espírito divino e do corpo físico.
As escrituras, inclusive as escrituras da Restauração, nos ajudam a distinguir entre inteligência divina, inteligência humana e inteligência artificial. O capítulo 11 de Gênesis narra a época em que homens, com um idioma e um discurso, disseram: “Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus (…). Por isso se chamou o seu nome Babel.” Nesse relato bíblico da Torre de Babel, entendemos o descontentamento de Deus com a arrogância humana dos homens que pensavam que poderiam construir uma torre física para rivalizar com o céu.
Um rabino-chefe judeu acrescenta uma interpretação do Midrash, comentários tradicionais sobre a Torá. Essa leitura do Midrash diz: “Desesperados para construir uma torre física, os homens choravam mais quando os tijolos de barro eram quebrados do que quando os seres humanos que faziam os tijolos morriam.” Quando os homens promoveram coisas materiais, como tijolos de barro e torres, acima da vida e dos valores dos indivíduos humanos, não é de admirar que o Deus do céu tenha sofrido muito. Nossas grandes tradições religiosas afirmam nobreza e potencial para homens e mulheres por causa da conexão do convênio com o Tu.
A conexão divina com Deus também define um relacionamento em comum juntos — a palavra sul-africana “ubuntu”, “Eu sou porque nós somos”. Eu e Tu podemos nos tornar nós. Tu, eu e Eles juntos nos lembram do conhecido ditado: “É a paternidade de Deus que torna possível a irmandade de homens e mulheres em todos os lugares.” Então, por favor, não deixe que as tecnologias de IA inadvertidamente criem sua imagem de Deus à imagem da IA.
Aprenda Quem Deus realmente é por meio de Sua Palavra e Espírito. Às vezes, pode parecer que o céu está quieto. Aprenda a ouvir a voz de Deus por meio da inspiração. Deus não é um chatbot ou resultado de pesquisa que responde a perguntas do modo que ele acha que queremos ouvir.
Deus conhece nossas intenções, as esperanças e os anseios de nosso coração, a angústia e a alegria de nossa alma.
Ele escuta, Ele ouve, Ele responde. Deus cria e nos confia oportunidades e experiências para trabalharmos, aprendermos e criarmos. Em minha fé, acreditamos que “a glória de Deus é inteligência, ou, em outras palavras, luz e verdade”. Acreditamos que “qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida surgirá conosco na ressurreição”. De fato, “se nesta vida uma pessoa, por sua diligência e obediência, adquirir mais conhecimento e inteligência do que outra, ela terá tanto mais vantagem no mundo futuro”. Não é à toa que convidamos você a aprender por meio de seus próprios esforços, de seu próprio trabalho dedicado, quando você trabalha de modo árduo e inteligente, quando você reconhece seu trabalho, não reivindicando o trabalho de IA como seu.
Aqui está um princípio vital: quanto mais trabalhamos com intenção, diligência e esforço, mais e melhor nos beneficiamos de nosso trabalho e por meio dele. Seja sábio.
Se a IA pode ajudar seu trabalho, considere usá-la. Mas reconheça a diferença entre a IA ajudá-lo a melhorar sua compreensão ou apenas fazer com que a IA cumpra sua tarefa com pouco benefício para seu aprendizado. Se permitirmos, por causa da IA, podemos ser levados a ser preguiçosos, dependentes, talvez desonestos. Não deixe a IA substituir você em tarefas que, de outra forma, ajudariam você a se desafiar e a crescer. E não assuma o crédito nem alegue ser seu próprio trabalho algo que você sabe ter sido feito principalmente por IA.
Quando aplicamos o princípio do crescimento individual por meio de nosso trabalho e esforço, a IA pode aprimorar, aprofundar e despertar nossa criatividade e capacidade. Como uma ferramenta bem utilizada, a IA pode nos ajudar. Isso é especialmente verdadeiro quando estamos fazendo algo e crescendo por meio de nossos esforços e trabalho, especificamente em um ambiente religioso. Não cresceremos espiritualmente se deixarmos que a IA escreva nossos discursos ou nossas lições ou faça nossa lição de casa do seminário ou do instituto.
Embora a IA possa ser uma ferramenta útil para a pesquisa on-line, a edição, tradução e outras tarefas, não devemos usá-la para criar ou escrever nossos rascunhos ou versões finais de nossas mensagens espirituais.
Deixe que a preparação espiritual e o testemunho pessoal liderem.
A inteligência artificial e nosso relacionamento com nós mesmos (Eu)
Nosso relacionamento com nós mesmos (Eu) representa nossa identidade divina e humana. Naturalmente nos orgulhamos de nosso trabalho e nele encontramos significado. No entanto, conforme a IA se torna cada vez mais capaz, precisamos repensar o propósito e o significado no trabalho humano, à medida que a IA substitui alguns empregos e abre muitas novas oportunidades de trabalho. Por muito tempo, definimos o que os seres humanos são a partir do que podem fazer e que as máquinas, mesmo as máquinas inteligentes, não podem fazer. No entanto, como a inteligência artificial torna algumas formas de inteligência uma espécie de mercadoria, somos desafiados a nos redefinir além da inteligência.
Podemos colocar mais ênfase no que realmente nos torna humanos — características duradouras como fé, compaixão, amor, humildade, empatia, perdão.
Você gosta de jogar o jogo da velha, xadrez, ou talvez Go?
Se você for o primeiro a jogar e souber fazê-lo, sempre pode ganhar ou empatar um jogo da velha. Se você for o segundo e souber jogar, sempre pode empatar um jogo da velha. Isso ocorre porque o jogo da velha tem movimentos limitados. Chamamos isso de “jogo resolvido”. Bons jogadores sempre podem ganhar ou empatar.
O xadrez, claro, é mais complicado do que o jogo da velha.
No xadrez, cada lado tem 16 peças e um número aparentemente infinito de jogadas em qualquer situação. Batizado em homenagem a estimativas feitas por Claude Shannon, o “Número de Shannon” indica que há 10, seguido de 120 zeros, possíveis movimentos no xadrez. Esse cálculo considera cerca de 30 movimentos possíveis por posição e um jogo de xadrez típico de cerca de 40 movimentos. Com tantas possibilidades e complexidades, muitos assumiram que o xadrez nunca seria um jogo resolvido.
Pensávamos que a habilidade e a estratégia humanas sempre dominariam a maestria no xadrez.
Isso até que um poderoso computador chamado Deep Blue foi programado e treinado para jogar xadrez. Em 1997, sob condições de torneio, o Deep Blue derrotou o então campeão mundial humano de xadrez, um grande mestre russo chamado Garry Kasparov. O computador Deep Blue venceu 3,5 jogos contra 2,5 jogos, em que 0,5 indica um empate.
Como?
O Deep Blue testou milhões de posições diferentes ao longo de dias e horas, sem precisar descansar. O Deep Blue nunca foi surpreendido ou “intimidado”. Além disso, o Deep Blue aprendeu a jogar contra uma pessoa específica, Garry Kasparov. O Deep Blue conhecia todos os jogos que Kasparov já havia jogado, até mesmo como ele usava peças específicas, como o bispo. O Deep Blue aprendeu a vencer Kasparov.
Sofisticado e complicado à sua maneira, Jeopardy! é um jogo de memória e habilidade analítica inventiva. Um jogo Jeopardy! recorre a centenas de categorias e perguntas — história, literatura, geografia e até questões inusitadas, como listar os estados dos Estados Unidos cujo nome começa com a letra C e ordená-los de acordo com o consumo per capita de sorvete (em galões) de seus habitantes em anos de eleição presidencial. (Isso foi uma piada, na verdade.)
O Jeopardy! também inclui velocidade e tempo e, portanto, gera nervosismo. Em 2011, o computador Watson derrotou Ken Jennings, um dos campeões humanos mais vitoriosos da história do Jeopardy!. Jennings observou: “O Watson, ao contrário de um humano, nunca hesitou, nunca duvidou e nunca vacilou antes de apertar o botão de resposta.” Essa realidade levanta uma questão profunda: quando e onde os seres humanos devem estar envolvidos no processo — com tempo para pausar e refletir — antes de permitirmos que a IA aperte certos botões?
Um terceiro jogo considerado impossível de solucionar era o Go. No jogo Go, os jogadores se alternam colocando peças pretas ou brancas em um tabuleiro. Você vence cercando as peças do seu adversário. Em 2017, o programa AlphaGo (Google DeepMind IA) venceu o campeão mundial de Go, um homem chamado Ke Jie, três vezes em três jogos. O campeão humano derrotado chamou o AlphaGo de “Deus do Go”.
É importante observar que o AlphaGo foi programado para treinar a si mesmo jogando sozinho milhões de vezes.
O AlphaGo jogou mais jogos do que um humano poderia jogar na vida. No processo, o AlphaGo desenvolveu estratégias inventivas e inovadoras. O AlphaGo aprendeu a posicionar peças em locais inéditos, nunca antes vistos nem esperados no jogo humano. Às vezes, a importância estratégica das colocações de peças em locais inéditos só se tornou evidente muitos movimentos depois.
Enquanto o Deep Blue em 1997, o Watson em 2011 e o AlphaGo em 2017, respectivamente, derrotaram os campeões mundiais humanos de xadrez, Jeopardy!, e Go, uma era de inteligência artificial nasceu na mente popular com a estreia pública do ChatGPT em novembro de 2022.
A partir daquele momento, estima-se que cerca de 1,4 bilhão de pessoas (uma a cada seis em todo o mundo) usem ferramentas de IA regularmente.
Essa forma de inteligência artificial é uma das adoções tecnológicas mais rápidas na história. Agora, a IA pode passar no vestibular, no exame da OAB ou no PROFIMED com pontuações altas. A IA pode pintar um quadro, narrar um filme, escrever uma música sertaneja de sucesso. A IA consegue dobrar proteínas e identificar sinais em meio ao ruído em volumes massivos de informações.
A inteligência artificial pode gerenciar estoques, identificar tendências de compra de consumidores e ajustar, monitorar e enviar mensagens publicitárias personalizadas a milhões de pessoas. Alguns querem conselhos da IA sobre questões de julgamento e interesse humano, incluindo assuntos relacionados a sentimentos.
Mas, antes de mais nada, busque compreender o plano de Deus para sua vida. Você não é formado de dados aleatórios em um algoritmo impessoal. Você é um filho amado de Deus, um filho do convênio e discípulo de Jesus Cristo.
Seu valor eterno não é calculado por curtidas, tendências ou análises preditivas. Nenhuma máquina pode medir seu potencial divino. Cada pessoa é importante. Todos nós somos únicos. Se não tivermos cuidado, podemos inadvertidamente permitir que algoritmos nos definam.
Pesquisas mostram que algumas pessoas confiam demais na IA. Isso ocorre porque podemos pensar que um chatbot sabe mais sobre o mundo do que nós, ou porque podemos pensar que um chatbot não tem problemas humanos. A tecnologia não pode nos dizer quem somos ou o que devemos fazer. Nosso arbítrio moral individual significa que podemos escolher, com a ajuda de Deus, nosso caminho e nossas prioridades. Deus nos convida a agir com fé, a escolher com sabedoria e a crescer ao vivenciarmos o esforço e experiências.
Com a ajuda de Deus, podemos traçar um caminho de crescimento pessoal e discipulado que os algoritmos nunca irão compreender totalmente. Deixe a inteligência artificial informar, mas você decide com o Senhor. Sua identidade e seu arbítrio são sagrados.
A inteligência artificial e nosso relacionamento com as outras pessoas (Eles)
Nosso relacionamento com o Tu ensina que pertencemos a uma comunidade com outras pessoas na sociedade, com Eles. Quando enfrentamos juntos pandemias, incêndios florestais ou atendemos silenciosamente às necessidades diárias, recebemos inspiração e força. Ao nos aconselharmos mutuamente, ouvimos cada pessoa e o Espírito Santo.
As relações humanas autênticas são importantes.
Compaixão, bondade e otimismo dependem de experiências reais e relacionamentos autênticos. A fé e a autenticidade se manifestam quando assumimos o compromisso de não permitir que ninguém se sente sozinho. “Ninguém se senta sozinho” também significa que ninguém fica sozinho espiritual nem emocionalmente. Especialmente, ninguém deve ficar sozinho, solitário ou emocionalmente dependente de um chatbot de IA. Um monólogo com um algoritmo de IA é diferente de um diálogo com um amigo ou familiar humano.
Entramos em uma área cinzenta quando pensamos que a IA pode nos aconselhar sobre questões pessoais, como qual emprego aceitar, com quem se casar ou onde encontrar Deus. Eu me compadeço daqueles que se confidenciam por horas em chatbots de IA, pensando que esses chatbots de IA os ouvem ou os conhecem. Os chatbots de IA não têm essa capacidade. Alguns chatbots de IA operam apenas com base em algoritmos projetados para incentivar que os humanos passem mais tempo em frente à tela.
Coloque o dedo na ponta do nariz por um momento.
Esse é um lembrete simples e divertido para nós mesmos e para as pessoas a nosso redor de que não deixaremos nenhuma pessoa achar que um chatbot de IA a escuta ou se importa com ela mais do que nós, como outros seres humanos, deveríamos fazê-lo. Obrigado.
É claro que nenhum de nós é perfeito na maneira como ouvimos e entendemos uns aos outros.
Nenhum de nós está tão atento e tão disposto a agradar 24 horas por dia quanto um chatbot de IA. E essa é a razão pela qual precisamos da comunicação humana (Eles). Relacionamentos humanos reais não são solipsistas — nós conversando com nós mesmos. Relacionamentos reais são relacionamentos humanos. Fazer parte do convênio não é algo egoísta.
É algo que não se concentra primariamente no eu, particularmente se esse eu formos nós fazendo apenas o que queremos.
Tu e Eles caminham juntos porque o convênio com o Tu nos dá Eles. Precisamos de Tu, Eles e Eu juntos.
Claro, as interfaces de IA podem nos ajudar a aprender a cozinhar, encontrar locais de aventura e melhorar uma jogada no pickleball.
A inteligência artificial pode nos ajudar a planejar atividades, traduzir mensagens, organizar nossa agenda. Para então usarmos nossa energia com as pessoas. Ferramentas assistidas por computador podem ajudar a nos conectar com a família, o passado e o presente, o que chamamos de história da família ou genealogia. Gosto tanto de saber que talvez nos sintamos sozinhos no mundo apenas até que a história da família e a genealogia nos conectem profundamente com a família que talvez nunca tenhamos conhecido.
Minha esposa e eu viajamos para Loughborough, Manchester, Inglaterra, para colocar um marco memorial no túmulo de Mary Ann e Joseph Cunningham, os trisavós de minha esposa.
Por 160 anos, Mary Ann e Joseph estiveram enterrados em uma sepultura não identificada. Um genealogista inspirado nos ajudou a localizar aquelas sepulturas. Ele usava ferramentas assistidas por computador de última geração. Ele também vasculhou o cemitério à boa e velha maneira, verificando as sepulturas uma a uma. A inteligência artificial e a tecnologia podem nos ajudar a conectar nosso nome a relacionamentos que nos unem em uma família eterna.
Como você deve saber, Manchester, Inglaterra, é um dos lugares onde a Revolução Industrial do século 19 começou. A Revolução Industrial transformou as relações entre pessoas e coisas e entre as pessoas na sociedade. Agora, a inteligência artificial está mudando nossos dias de maneira ainda mais profunda do que a Revolução Industrial transformou seus dias.
Em sua vida pessoal, use a IA para logística e rascunhos, não como um substituto para relacionamentos de confiança. Defina limites.
Se você se sentir tentado a confiar mais em um chatbot do que em um amigo, pai, mãe ou líder, eu o convido a procurar — hoje, agora — uma pessoa real que o conhece e o ama.
Confie em Deus e nas pessoas ao seu redor que o conhecem e o amam. Deus o conhece melhor e o ama mais do que você conhece ou ama a si mesmo. Essa é a razão pela qual Ele nos dá uns aos outros. Jamais se poderá dizer o mesmo de um chatbot de IA.
Nossos quatro relacionamentos principais também incluem o mundo natural e o meio ambiente – o Isso, outro relacionamento que a IA está mudando.
Priorize conversas reais com pessoas reais. Deixe os algoritmos ajudarem, mas gaste sua melhor energia com as pessoas.
A inteligência artificial e nosso relacionamento com o meio ambiente e o mundo natural (Isso)
Nossos quatro relacionamentos principais também incluem o mundo natural e o meio ambiente – o Isso, outro relacionamento que a IA está mudando. Priorize conversas reais com pessoas reais. Deixe os algoritmos ajudarem, mas gaste sua melhor energia com as pessoas. Locais bonitos como este nos lembram que, “no princípio, Deus criou os céus e a terra. (...)
E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom”. A beleza, a ordem e o propósito nas criações de Deus testemunham Seu amor e inspiram nossa reverência. Essas coisas nos convidam à mordomia sábia. Em nosso ambiente natural, estamos organicamente enredados com os tempos e estações da natureza; ciclos recorrentes do dia e da noite; refluxos e fluxos de vida, morte, renascimento. No entanto, a menos que sejamos cuidadosos, podemos perder a conexão do convênio com o mundo natural na modernidade atual de conveniências e confortos artificiais.
No sudoeste de Utah, estão as montanhas Parowan.
Ao norte da cidade de Parowan, o Parowan Gap, uma passagem de 152 metros de profundidade e quase 5 quilômetros de comprimento, liga os vales de Parowan e Cedar. Uma placa sobre a Parowan Gap descreve as conexões da tribo Hopi com o Parowan Gap desta maneira:
O povo Hopi fez um convênio sagrado com Maasaw, o Guardião da Terra, declarando sua responsabilidade de serem preservadores, protetores e administradores da Terra. De acordo com esse convênio, os ancestrais do povo Hopi, ou povo de muito tempo atrás, migraram através do Parowan Gap para Hopi, o centro espiritual da Terra.
Os petróglifos aqui testificam o cumprimento de seu convênio com Maasaw. Recentemente, minha esposa e eu viajamos para um parque nacional conhecido por suas noites estreladas com certificação Dark-Sky.
O que é chamado de “escala de Bortle” mede a poluição luminosa. Uma escala de Bortle classe 1 é o céu noturno mais escuro. Uma escala de Bortle classe 9 é o céu noturno mais brilhante, ou seja, mais poluído pela luz. Estávamos em uma área de classificação 1 ou 2 na escala de Bortle, com um céu muito escuro e sem nuvens, em uma noite sem lua. Guardamos nosso telefone, assamos marshmallows quando o Sol se punha e observamos a Via Láctea durante a noite.
A Via Láctea é tema de mitos, maravilhas e mistérios. Não é incrível como cada cultura e povo conta sua própria história da Via Láctea?
Em chinês, Via Láctea é Yínhéxì, “o rio de prata”. Em bielorrusso, estoniano e finlandês é “o caminho dos pássaros”. Alguns chamam a Via Láctea de “caminho de Santiago”. Em Cherokee, é “o caminho para onde o cachorro fugiu”. Em hebraico, “o rio de luz”. As imagens do telescópio espacial IMAX James Webb projetam ainda mais fundo no espaço o que as imagens de campo profundo do telescópio Hubble mostraram anteriormente. Como testificam os grandes profetas Moisés e Abraão, as criações de Deus incluem mundos incontáveis, galáxias sobre galáxias, mesmo em lugares onde o céu noturno parece vazio.
O grande autor francês Victor Hugo, em “Os Miseráveis”, assim se expressou:
“Nada é pequeno, na verdade.” Quem está aberto à natureza sabe disso. A álgebra aplica-se às nuvens. O brilho das estrelas beneficia a rosa.
Há relações milagrosas entre seres e coisas nesse todo inesgotável; do Sol ao pulgão, ninguém menospreza ninguém. Todos precisam uns dos outros.
Verdadeiramente, “todas as coisas mostram que existe um Deus; sim, até mesmo a Terra e tudo que existe sobre a sua face, sim, e seu movimento, sim, e também todos os planetas que se movem em sua ordem regular testemunham que existe um Criador Supremo”.
“Sim, todas as coisas que provêm da terra, em sua estação, são feitas para o benefício e uso do homem, tanto para agradar aos olhos como para alegrar o coração.”
A beleza, diz a autora Marilynne Robinson, é a “assinatura de Deus”. Um meio importante de conhecermos a Deus é discernir a assinatura Dele nas criações que foram feitas para alegrar o coração.
Imagine que você está se preparando para uma caminhada no deserto. Você acende uma única vela enquanto reúne seus mapas, comida, saco de dormir, barraca e assim por diante.
Por causa da luz da sala, você não percebe a vela. Agora imagine que você apague a luz da sala. Agora a vela brilha clara e resplandecente. Ela ilumina a sala. Não é que a vela acesa fosse invisível antes, era que a luz artificial da sala obscurecia a luz natural da vela acesa.
De certa forma, precisamos estar na natureza, longe da luz artificial e da artificialidade que sobrecarrega grande parte da vida moderna. Lá podemos ver a luz de Deus, não como uma única vela, mas como E.B. White disse, como “a combustão das estrelas”.
As telas digitais podem ser úteis, mas não podem substituir o testemunho da natureza e do mundo natural. A IA não pode substituir a luz solar, o vento e as maravilhas naturais. As interações digitais são, na melhor das hipóteses, um substituto precário ou, na pior hipótese, uma imitação falsa daquilo que vivenciamos por meio de nossos sentidos, coração e mente.
Nossos sentidos e capacidade físicos e espirituais são dons de Deus, em parte para que vivenciemos o tempo, o espaço e a fisicalidade, incluindo a beleza deslumbrante e revitalizante de nosso mundo físico e de nosso ambiente.
À medida que a corrida pela capacidade computacional para IA se intensifica, muitos expressam preocupação com os recursos naturais consumidos pela IA e com o impacto dela em nosso meio ambiente. As consultas de IA geralmente consomem mais tempo e energia de computação do que as operações tradicionais do computador. Os “data centers” de IA exigem quantidades significativas de terra, eletricidade e água. As intrincadas cadeias de suprimentos necessárias para construir sistemas de IA também tributam nosso ambiente natural.
Isso inclui a mineração, o refino, o processamento e a limpeza de minerais de terra raros e outros elementos e componentes dos quais os sistemas de IA dependem.
Além disso, a demanda por serviços de IA continua a aumentar, então precisamos abordar a expansão da infraestrutura de IA com sabedoria e preocupação com nosso mundo natural e meio ambiente.
Além desses impactos em nosso ambiente natural, precisamos continuamente perguntar sobre como permitimos que a IA influencie nosso ambiente interno pessoal e o ambiente que criamos ao nosso redor.
Estudos estimam que os adultos nos Estados Unidos passam, em média, de cinco a seis horas por dia ao telefone, computador e televisão. Os adolescentes passam de oito a nove horas por dia envolvidos com as telas.
Sabemos que o tempo de tela excessivo pode contribuir para a depressão e a ansiedade. A dependência excessiva das redes sociais e da inteligência artificial pode prejudicar a autoestima e a confiança e contribuir para problemas de saúde mental. O tempo excessivo de tela também tem um alto custo de oportunidade. Imagine todas as coisas que poderíamos fazer com esse tempo. Então, como dizem, arranje tempo para “respirar ar puro”. Se você acha que se sente mais confortável com seu telefone do que com as pessoas, ou que isso está impedindo você de aproveitar o deleite, a casualidade e a espontaneidade inerentes à natureza de Deus, agora é um bom momento para mudar.
Reconheça a serenidade, a calma e a segurança que advêm quando mergulhamos novamente na ordem e na beleza da criação. Deixemos que lugares tranquilos e naturais coloquem nossas preocupações pessoais diárias em perspectiva. Regar uma planta, cuidar de um jardim — isso pode restaurar o equilíbrio. Pode deixar o ambiente mais leve. Pode organizar a mente.
Veja as folhas dançarem com o primeiro toque da luz. Faça uma pausa enquanto o Sol pinta as nuvens com a paleta de Deus. Ouça as histórias que as constelações contam enquanto percorrem as extensões dos céus. É preciso esforço consciente para desacelerar. A bondade de Deus pode nos enriquecer a alma.
No mundo barulhento, entulhado e poluído de hoje talvez seja difícil aquietar-nos e saber que Deus é Deus. Moldamos nossa vida para ser “instagramável”, mesmo sabendo que nada é instantaneamente perfeito. Só quando desligamos o exaustor da cozinha é que nos lembramos de como ele é barulhento. Às vezes, quando desaceleramos em relação às coisas que importam menos, descobrimos as que mais importam. Em uma era de IA, o que os especialistas em tecnologia alertaram anteriormente é ainda mais verdadeiro agora. Se você não está pagando pelo produto, você é o produto.
Muitas mídias sociais e algoritmos de IA são otimizados para uso on-line, compartilhamento e lucro via publicidade monetizada. Aplicativos voltados para o dinheiro podem fomentar suspeitas, divisões e depressão. Também é revelador que os gurus da tecnologia que mais entendem de tecnologia protegem seus filhos do uso excessivo das mídias sociais.
Quando não consigo sair para caminhar, às vezes me aconchego para ler um livro de capa dura, como os diários de John Muir, um dos grandes conservacionistas dos Estados Unidos. Esse grande naturalista ajudou a defender Yosemite como um dos primeiros parques nacionais dos Estados Unidos.
Esta é uma passagem do diário de Muir de 23 de junho, de seu livro “Meu Primeiro Verão na Sierra”:
“Oh, esses dias vastos, calmos e infinitos nas montanhas, incitando ao mesmo tempo a trabalhar e descansar! Dias em cuja luz tudo parece igualmente divino, abrindo mil janelas para nos mostrar Deus. Nunca mais, por mais cansado que esteja, deve desfalecer pelo caminho alguém que ganha as bênçãos de um dia na montanha; seja qual for o seu destino, vida longa ou curta, tempestuosa ou calma, ele é rico para sempre.”
Podemos usar a IA para aprofundar a experiência com a natureza?
Sim.
Um chatbot pode sugerir caminhadas, parques, atividades sazonais. Ele pode criar uma lista de busca da natureza. Pode identificar plantas ou insetos. Mas a verdadeira exploração acontece quando vamos explorar.
Saia da realidade digital para a realidade física. Esteja espiritualmente presente no momento. Chame amigos ou familiares, mas guarde seu dispositivo. Quando saímos, entramos na sala de aula de Deus.
A natureza ensina paciência à medida que as sementes crescem, humildade quando passam as tempestades e alegria quando a luz do sol aquece a Terra. Essas lições não são baixadas, elas são vividas. Ao reverenciarmos a criação e cuidarmos dela, honramos o Criador. Cada sopro de ar fresco e puro pode despertar gratidão. Escolha intencionalmente momentos que alegrem o coração e elevem a alma.
A tecnologia pode nos informar, mas, sem o Espírito, ela não pode transformar nossa natureza ou nosso ser.
Usemos sabiamente a IA e as ferramentas tecnológicas para aprofundar a fé e o entendimento espiritual, fortalecer os relacionamentos e as famílias e instilar reverência e gratidão pelas criações de Deus.
Considerações finais
O discipulado é uma jornada de convênio. A IA é uma ferramenta. Quando confiamos no Espírito, agimos com sabedoria e escolhemos fontes confiáveis, a tecnologia pode contribuir e não prejudicar nossos relacionamentos fundamentais com Deus (Tu), com nós mesmos (Eu), com os outros (Eles) e com o meio ambiente (Isso).
Em nossa conversa, eu o convidei a primeiro definir diretrizes de como você vai usar a IA, para que ela não fique entre você e seu relacionamento pessoal com Deus.
Segundo, escrever três verdades sobre quem você é: filho de Deus, filho do convênio e discípulo de Jesus Cristo. Coloque-as em algum lugar visível; cada vez que você vê-las, pare e lembre-se.
Terceiro, enviar uma mensagem atenciosa escrita por você mesmo ou visitar, de maneira pessoal e significativa, um familiar, amigo, colega de quarto ou vizinho.
Quarto, passar um tempo significativo na natureza. Silenciar suas notificações.
Fazer uma oração de gratidão pela beleza e pelo testemunho de todas as coisas que denotam a ordem natural e os propósitos amorosos de Deus, o Grande Criador.
Em um mundo de tecnologia e inteligência artificial em aceleração, que nunca percamos a inteligência divina que mais importa: a voz de Deus. Ouçamos Seu sussurro em meio ao ruído. Ame os outros indo além dos algoritmos e cuide da criação e do ambiente com reverência.
Em conclusão, para traçar nosso futuro mais grandioso em uma era de inteligência artificial, precisamos do que o poeta W.B.
Yeats chamou de nosso “núcleo profundo do coração”. Em última análise, nem em humanos nem em IA podemos promover o bem maior simplesmente confiando em grades de proteção ou restrições impeditivas, particularmente neste momento crítico na capacidade e potencial de IA. Temos o dever de priorizar a IA, o que aumenta as oportunidades para o que chamo de “presente da possibilidade humana que advém da IA”. Uma autêntica dádiva de possibilidade advinda da IA pode expandir o arbítrio e a dignidade humana, priorizar o aprendizado e ampliar o caráter humano, e capacitar as pessoas a encontrar dignidade, lugar e propósito à medida que cada uma contribui para um bem maior. Quero que a IA seja moralmente fundamentada e tenha uma bússola moral. Quero uma IA que inspire e permita que qualquer pessoa, em qualquer lugar, tenha a possibilidade de se tornar qualquer coisa. Devemos projetar a IA para ajudar a dar essa dádiva da possibilidade a todos.
Encerro com uma experiência pessoal que ilustra esse cenário em que qualquer pessoa, em qualquer lugar, tem a possibilidade de se tornar qualquer coisa. Recentemente, visitei a pequena ilha de Nevis, no Caribe oriental.
Nevis tem cerca de 8 quilômetros de largura por 11 de comprimento, por volta de 90 quilômetros quadrados, um ponto ínfimo no oceano. Fui a Nevis porque queria testemunhar por mim mesmo a dádiva da possibilidade. Encontrei na pequena ilha de Nevis o lar e o local de nascimento de um homem que mudou o mundo. O nome desse homem se tornou título de um musical hip-hop de sucesso, e o rosto dele está na nota de dez dólares americanos. Também encontrei na pequena ilha de Nevis um jovem professor.
Esse professor diz, com orgulho, que um aluno de sua ilha mudou o mundo. Esse professor diligente dá aulas de geografia e espanhol, acreditando plenamente que qualquer um de seus alunos pode ser o próximo Alexander Hamilton. Qualquer pessoa, em qualquer lugar, tem a possibilidade de se tornar qualquer coisa.
Em todos os lugares a que vou, agora para mais de 120 países e territórios, vejo o potencial e a possibilidade humana. Com a IA, devemos promover o arbítrio humano e ampliar a capacidade humana.
Queremos que cada pessoa se desenvolva ao contribuir para o bem maior, aumentar a abundância e disseminar a prosperidade. É por isso que precisamos de fé, arbítrio moral e bússola moral, e a dádiva da possibilidade em uma era de inteligência artificial. Que você possa discernir, com o dom do Espírito Santo, o que é real e irreal, verdadeiro e falso, edificante e não edificante, tendo fé e intenção justa. Escolha sabiamente seguir a Jesus Cristo. Trabalhe com fé, obediência e diligência para se tornar tudo o que você pode se tornar como filho de Deus.
Confie em Deus e acredite Nele. Que Ele o abençoe com todas as oportunidades para aprender e servir com toda boa dádiva e alegria duradoura, é minha oração em nome de Jesus Cristo, amém.